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Latinoamérica

1 de enero del 2003

Esperanças e expectativas

Correio da Cidadania
Editorial

Esperança e expectativa são palavras que exprimem o sentimento geral no ano que passou.
As esperanças são grandes. Espera-se o início de um período histórico no qual possam ser removidos os dois grandes entraves ao nosso desenvolvimento: a dependência externa e a desigualdade social. Assim como 1930 é lembrado como o ano em que o Brasil iniciou sua caminhada para a industrialização e a urbanização, 2002 – espera-se – será recordado, daqui a setenta anos, como aquele em que teve início a marcha para a independência e a democratização.
Esperança é certeza que decorre da fé. De que fé se nutre a esperança do povo brasileiro neste final de 2002? A fé em si próprio. Pela primeira vez, em quinhentos anos de história, o povo consegue apoderar-se do ramo mais importante do poder: o comando do Executivo Federal. O impacto desse fato no imaginário popular é a grande energia propulsora das transformações econômicas, sociais, políticas e, sobretudo, culturais, que estão por vir. O fundamento da esperança é a possibilidade, finalmente aberta, de um verdadeiro protagonismo do povo no processo de construção da Nação.
As esperanças são grandes, mas as expectativas, pequenas.
Expectativa é conclusão de raciocínio lógico, cartesiano. Os dados da economia e da política não se compadecem com a possibilidade de grandes avanços, quer no campo da autonomia econômica, quer no da redução das desigualdades sociais. Tanto num como noutro desses planos, as margens de manobra de Lula são bastante estreitas. Qualquer passo em falso pode precipitar uma situação incontrolável. E pior, a falta de passos conduz também a situações incontroláveis.
Como alimentar esperanças no contexto de expectativas tão limitadas? Talvez a história possa ajudar na resposta. Os brasileiros sabem, já de algum tempo, que o Brasil é uma economia de enorme potencial, tanto pela dotação extraordinária de recursos naturais, quanto pelo elevado grau de desenvolvimento das suas forças produtivas. É generalizado o sentimento de que algo nos entrava, de que certas aberrações sociais não são compatíveis com o grau de civilização que atingimos, de que não temos por que aceitar certas imposições que nações muito mais débeis repelem. Esse sentimento nacional veio à tona quando, em uma conjuntura muito particular da história, as elites brasileiras desertaram da sua tarefa, entregaram o país aos negocistas e ao crime organizado, perdendo toda legitimidade para liderar a Nação.
Cinqüenta e dois milhões de brasileiros parecem ter percebido que, diante dessa vergonhosa renúncia e da grave encruzilhada histórica em que o país se encontra, ou assumem um papel protagonístico na solução dos graves problemas que os afligem, ou estarão condenados a viver na barbárie. A esperança venceu o medo. O tempo dirá se isto é suficiente para vencer os outros obstáculos.